Em 2014, apostar online no Brasil era ilegal. Em 2026, as bets são mercado regulado: 187 casas autorizadas, dezenas de bilhões movimentados por mês e patrocínio na camisa de mais da metade dos clubes da Série A. Esta página reúne os números — todos de fontes públicas e oficiais, com a metodologia aberta em cada gráfico.
Não existe uma régua única para medir “presença” ao longo de 12 anos — então usamos marcos datados. O indicador mais comparável é a contagem do Kantar IBOPE Media: quantas casas de apostas figuravam entre os 300 maiores anunciantes do Brasil — 0 em 2014, 1 em 2018, 12 em 2022. Na camisa da Série A, o número subiu até 2024 (18 clubes) e ficou em 12 em 2026.
Fonte Meio&Mensagem e Poder360/SportsMkt (patrocínio máster, por temporada). Metodologia conta apenas o patrocinador máster (camisa); recortes mais amplos (“qualquer bet na camisa”) chegam a 18–20 em 2025.
A Copa de 2018 ocorreu antes da lei que legalizou as apostas (Lei 13.756, dez/2018). Na de 2022, já eram legais, mas sem regulamentação. A de 2026 é a primeira sob regras da SPA (em vigor desde jan/2025). No mesmo período, o nº de clubes da Série A com bet na camisa passou de 18 (2024–2025) para 12 (2026).
De tudo o que é apostado, uma parte volta como prêmio e o restante fica com a operadora (o GGR, receita bruta do jogo) — base sobre a qual incide o imposto. A retenção média tem duas estimativas oficiais: ≈6–7% (SPA, mercado regulado) e ≈15% (Banco Central, via Pix). O funil abaixo usa a estimativa do BC.
Fonte Banco Central — Estudo Especial 119/2024 (retenção média ~15% do apostado, via Pix). Metodologia ilustração “de cada R$ 100”; a SPA estima retenção de 6–7% no mercado regulado. Não é projeção de resultado individual.
A alíquota sobre o GGR começou em 12% (Lei 14.790/2023) e foi elevada pela LC 224/2025. Hoje (2026) está em 13%; 14% e 15% já estão em lei, mas ainda não vigoram.
Fonte Lei 14.790/2023 (12%) e Lei Complementar 224/2025 (cronograma 13–15%). Metodologia alíquota da contribuição sobre o GGR; 13% está em vigor em 2026, 14% e 15% já estão em lei mas ainda não vigoram.
Cruzando o registro real do mercado regulado (SPA) com o estudo do Banco Central sobre o Pix, o retrato é nítido: homem, jovem-adulto e majoritariamente das classes C, D e E. Os jovens são a maioria — mas o valor apostado por pessoa cresce com a idade.
Fonte Distribuição etária: SPA/Fazenda (2025, registro do mercado regulado). Ticket por idade: Banco Central, EE 119/2024. Metodologia a curva de ticket é a forma descrita pelo BC (jovens ~R$ 100/mês → 60+ acima de R$ 3.000), alinhada aos bins do SPA — aproximação, não tabela oficial.
Fonte Instituto Locomotiva (ago/2024, n=2.060, ±2pp). Metodologia pesquisa autodeclarada (survey); mede a composição dos apostadores por classe, não a proporção que aposta dentro de cada classe.
A proporção de quem aposta é maior no Sul (37%) e menor no Nordeste (25%). Como ainda não há dado oficial por estado, o mapa colore cada UF pela prevalência da sua região (Genial/Quaest) — é uma leitura regional, assumida de forma transparente.
Passe o mouse / toque em um estado. Cor = % que aposta na região (survey), aplicada às UFs daquela região.
Os dados oficiais também registram indicadores de impacto: vínculo com programas sociais, pedidos de autoexclusão e endividamento — cada um com a fonte indicada.
Em agosto de 2024, cerca de 5 milhões de pessoas de famílias beneficiárias do Bolsa Família enviaram R$ 3 bilhões a casas de apostas via Pix — mediana de R$ 100 por pessoa. Banco Central
Fonte Banco Central — Estudo Especial 119/2024 (dados de ago/2024). Metodologia identificação de transferências via Pix de contas que receberam o benefício; é a movimentação de um único mês — não anualizar. O cruzamento por CPF tem limitações reconhecidas pelo próprio estudo.
Apostas são restritas a maiores de 18 anos. A regulação brasileira classifica a atividade como de risco e exige aviso de risco em toda publicidade. Apoio gratuito e sigiloso: Jogadores Anônimos e CVV — 188.
Em 2024, pela primeira vez a internet superou a TV aberta no bolo publicitário brasileiro (Cenp-Meios). Já entre as casas de apostas, a maior fatia da verba foi para a TV aberta (53%, Kantar IBOPE Media). Comparam-se proporções, não valores absolutos: Kantar mede a preço de tabela; Cenp, líquido via agências.
Fonte Mercado: Cenp-Meios 2024 (base líquida via agências). Bets: Kantar IBOPE Media, jan–ago/2024 (preço de tabela). Metodologia cada barra é a distribuição percentual de seu universo; como as bases diferem, comparam-se proporções, não R$ absolutos. “Digital” das bets é exibido junto de “Internet” do mercado.
Fonte Kantar IBOPE Media (Inside Advertising) e IAB Brasil/Kantar (digital). Metodologia variação do investimento publicitário 2023→2024, a preço de tabela.
De cada R$ 100 que os 300 maiores anunciantes do país colocaram em mídia, cerca de R$ 5 vieram de casas de apostas (Kantar IBOPE Media, jan–ago/2024).
Diferente de 2014, 2018 e 2022, a Copa de 2026 acontece sob regras. O que mudou, na prática:
Tudo aqui é dado público (custo: R$ 0). Cada número-chave é rastreável até a fonte oficial — e corroborado por imprensa independente.